A investigação em proramas Erasmus+ como objeto interferacional

Resumo

No ámbito do programa da Unión Europea “Erasmus+”, as persoas e organizacións teñen oportunidades de interactuar, creando diálogos culturais e pontes de coñecemento que enriquezan a educación. Este artigo mostra como a investigación contribuíu a promover a convivencia interxeracional e cultural e o coñecemento sobre o tema da robótica e o pensamento computacional.

En el marco del programa "Erasmus+" de la Unión Europea, personas y organizaciones tienen la oportunidad de interactuar, creando diálogos culturales y puentes de conocimiento que enriquecen la educación. Este artículo muestra cómo la investigación contribuyó a fomentar la convivencia intergeneracional y cultural y el conocimiento sobre el tema de la robótica y el pensamiento computacional.

As part of the European Union's "Erasmus+" programme, people and organisations have opportunities to interact, creating cultural dialogues and bridges of knowledge that enrich education. This article shows how the research contributed to promoting intergenerational and cultural coexistence and knowledge on the subject of robotics and computational thinking.

Texto

Contextualização

Educar na atualidade é um desafio complexo, requer um compromisso social compartilhado (Unesco, 2022). Isto significa que a formação do cidadão não deve ser de forma isolada, mas aberta ao outro na construção de saberes e de valores sociais, de capacidades que o tornam pensadores críticos e criativos, autónomos, participativos na sociedade, comunicativos, eticamente responsáveis na relação com o outro. O programa Erasmus+ apoia porjetos de cooperação internacional permitindo parcerias e intercambios entre países do espaço europeu pelo que a mobilidade oferece uma ampla gama de oportunidades de contactos intergeracionais e de investigação contribuindo para uma educação de qualidade, inovadora e inclusiva.

Neste âmbito, a investigação assume um papel relevante como foco de convivência intergeracinal e de respeito mútuo aquando da identificação de necessidades, expetativas e preocupações que criam oportunidades para que uns aprendam com os outros. Assim, o nosso projeto teve como propósito pensar a robótica e o pensamento computacioal para a Educação Infantil. Envolveu estudantes da formação incial de diferentes mestrados profissionalizantes da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (ESE), estudantes do Centro Educativo Arangoya, de Bilbau, e a Faculdade de Educação, Josip Juraj Strossmayer University of Osijek, Croácia.

Cada um dos participantes investigou e realizou experiências no seu contexto integrando robôs, como o Blue-Bot e o Cubetto (Figura 1). Foram realizados encontros a distância e presenciais.

Figura 1: O Blue-Bot e o Cubetto

Os primeiros foram focados na partilha de saberes construídos sobre as vantagens e desvantagens da utilização desses recursos didáticos nessa faixa etária. Debateu-se a necessidade da educação se ajustar às mudanças, nomeadamente à integração pedagógica de tencologias que ajudam na promoção do pensamento computacional. Segundo Wing (2006), o pensamento computacional ensina a pensar na resolução de problemas e a desenvolver capacidades analícas nas crianças. Ensina a pensar de forma recursiva, a prevenção, a proteção e a recuperação de cenários, estimula o raciocínio heurístico para descobrir uma solução. Já a robótica permite tornar os conceitos ligados à programação e pensamento computacional tangíveis fomentando o saber-fazer de forma táctil, na relação que o aluno estabelece as suas ideias com os artefactos e visualiza resultados imediatos (ME, 2016). Santos et al. (2023) mostram como como ensinar a desenhar soluções usando fundamentos do pensamento computacional.

Os encontros presenciais ocorreram no Porto e em Bilbau e tiveram como objetivo a observação das práticas educativas em contextos reais, o conhecimentos das respetivas escolas pareceiras e o convivio intergeracional provocador de diálogos culturais, pedagógicos e técnicos, o entendimentos e respeito entre todos. O encontro entre instituições e gerações tem um propósito de participação útil e, segundo Aminguinho (2005), tem sentimento e sentido. Estas práticas intergeracionais são mediadas por afetos e resultam em satisfação como uma alavanca positiva para a autoestima e autoconfiança.

Discussão de resultados

As experiências realizadas nos países participantes revelam que a robótica, em especial a integração do Blue-Bott e do Cubetto, associada ao pensamento computacional, traz vantagens na articulação curricular, nomeadamente orientação espacial, lateralidade, oralidade, escrita e literacia digital. Além disso, promove o desenvolvimento de capacidades pessoais, como o pensamento crítico-reflexivo e criativo, pensamento lógico e de autoregulação na resolução de problemas, persistência e atenção no processo de aprendizagem, e a promoção de capacidades sociais e emocionais no diálogo argumentativo e ético com o outro. Mostram, ainda, que são recursos caros e que quando mal integrados nas estratégias pedagógicas não revelam as potencialidades referidas, sendo que exigem formação pedagógica e técnica do docente para fomentar aprendizagens significativas de acordo com o objetivo da aula (Figura 2).

Figura 2: Práticas educativas com Blue Boot e Cubetto

Num momento presencial, estudantes e professores de Bilbau conheceram o laboratório da ESE, apresentaram as suas práticas com o Cubetto e observaram práticas educativas em escolas reais no Porto (Figura 3).

Figura 3: Observação de alguns recrusos expostos na ESE e de uma aula numa escola do 1.º CEB.

Numa perspetiva cultural e intergeracional, este grupo de Bilbau visitou o Porto num convívio harmonioso entre estudantes, professores e professora titular da turma do 1.º CEB (figura 4).

Figura 4: Convívio cultural no Porto

Já o grupo do Porto deslocou-se a Bilbau para conhecer a escola parceira e as suas atividades educativas sobre o estudo. Neste contexto, conheceu a cidade num convívio de troca de saberes e de experiências que incluiu um guia turístico (Figura 5).

Figura 5: Convívio cultural em Bilbau

Considerações

O Programa Erasmus+, apesar de focado na mobilidade de estudantes e profisisonais, tem elementos intergeracionais que promovem a interação entre diferentes faixas etárias. É o caso da investigação conjunta que desempenha um papel fundamental na construção de saberes e de valores entre diferentes gerações com culturas distintas. Além disso, fomenta a compreensão e a discussão de conceitos que favorecem a qualidade da educação e a empatia de gerações ao permitir que investigadores de diferentes faixas etárias e espaços geográficos discutam processos de aprendizagem que interessam às crianças e vivenciem essas experiências em realidades diferentes. Assim, consideramos que a investigação, integrada em programas Eramus+, aumenta a compreensão intergeracional e a capacidade de empatia para o bem comum. Este artigo contribui para uma compreensão mais profuda dos benefícios da investigação em programas Erasmus+ na promoção intergeracional.

Referencias bibliográficas

  • Amiguinho, A. (2005). Revista Portuguesa de Educação, 18(2)7-43. CIEd – Universidade do Minho.
  • Direção Geral de Educação (DGE) (2016). Iniciação à Programação no 1.º Ciclo do Ensino Básico: Linhas Orientadoras para a Robótica. Ministério da Educação
  • Santos, M., Quadros-Flores, P., Fernandes, D., Mascarenhas, D. (2023). Inovar a Educação com o pensamento computacional: Uma experiência didática no 4.º ano de escolaridade. Sensos-e X(2)49-63. DOI 10.34630/sensos-e.v10i2.4920
  • UNESCO (2022). Reimaginar nossos futuros juntos: um novo contrato social para a Educação. Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
  • Wing, J. (2006). Computational Thinking. Communications of the ACM, 49(3) 33-35. https://doi.org/10.1145/1118178.1118215

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